terça-feira, 6 de outubro de 2009




Mão de um macaco afagada por mão humana : metáfora de um respeito ideal do homem (espécie predadora) pelas outras espécies. Cobaias de laboratório, atração de zoológico, caça como esporte, de quantos crimes os animais são vítimas?
Foto de Viviana Meireles









Rio-Paris, uma tragédia anunciada


Por que o voo Air France 447 caiu no Atlântico ?
No Journal du Dimanche deste fim de semana duas páginas, com chamada de capa, trataram de uma investigação independente, feita por dois pilotos experientes que dizem, em suma: “O acidente Rio-Paris podia ter sido evitado”.
Para a companhia e para o fabricante Airbus, a solução para o enigma seriam as caixas pretas. Para os dois pilotos, Gérard Arnoux e Henri Marnet-Cornus, que fizeram uma investigação paralela à oficial, não há dúvida que as responsáveis pelo acidente são as sondas Pitot. Mas transformando o acidente em erro humano, a Air France, a Airbus e os órgãos franceses responsáveis pela investigação encerram a ação penal. Segundo os pilotos, o Bureau d’enquêtes et d’analyses (BEA) minimiza o papel das sondas Pitot porque deveria tê-las mudado desde que o órgão similar alemão deu o sinal de alerta, em 1999. Além disso, eles julgam que a política de segurança da Air France não está à altura de sua posição de primeiro transportador aéreo do mundo.
Business, business, business...

Jospin de bicicleta, madame Chirac e seu cãozinho...

Ao cruzar o boulevard Raspail na direção da feira orgânica (marché bio) neste domingo, atravesso o sinal com meu marido e quando olho para a direita vejo um ciclista parado no sinal. Era Lionel Jospin. Reparo que ele tem a sua própria bicicleta e não usa o Vélib, as bicicletas de aluguel de Paris. Jospin desce o boulevard Raspail e nos ultrapassa. Eu já sabia que o ex-primeiro-ministro socialista mora por perto. Apesar de ter direito a guardas na porta do seu prédio, como todo ex-primeiro-ministro e ex-presidente, ele passeia por Paris de bicicleta, completamente desacompanhado.
Esse encontro inesperado numa manhã de outono me fez pensar em outros personagens famosos que cruzei em Paris ou em outras cidades recentemente. Há sempre uma sensação de surpresa ao depararmos com um rosto conhecido, como se tivesse saído das páginas de uma revista ou de um filme. Resolvi fazer um inventário: Emir Kusturica passou por mim perto do Hôtel de Ville, num táxi, com um dedo dentro do nariz. Ele estava em Paris para apresentar uma ópera que dirigia. Isabelle Adjani com um lindo chapéu vinha em minha direção, numa calçada do 8e arrondissement, em Paris, conversando com uma senhora idosa. Só a reconheci quando cruzei com seus olhas azuis. Jean-Luc Godard era um senhor meio careca que caminhava na calçada em frente ao Café aux Deux Magots, em Saint-Germain-des-Prés. Passei a meio metro dele e demorei a me dar conta que por mim passava o gênio da “nouvelle vague”.
Michel Platini almoçava numa mesa ao lado da nossa num restaurante de La Ciotat, cidade mediterrânea, onde os irmãos Lumière filmaram a chegada do trem na gare, inaugurando o cinema mundial. Magic Johnson foi perseguido por um fotógrafo que clicava sem parar em Portofino, um lugar que costuma ver desfilar a fina flor do jet set internacional. Catherine Deneuve ajeitava os cabelos de um adolescente perto da igreja Saint Sulpice, não longe de onde ela mora, soube depois. Madame Chirac, Bernadette para os íntimos, passeava seu cãozinho de estimação na Rue de Rennes, sozinha, às 10 horas da noite de um domingo. Seguindo pela Rue Bonaparte até o Sena ela chega em casa, um apartamento onde o ex-presidente se instalou depois de deixar o Palácio do Eliseu. O apartamento onde o casal mora em Paris pertence à família do ex-primeiro-ministro do Líbano, Rafic Hariri, assassinado em 2005, num atentado em Beirute. Chirac não tem casa em Paris, segundo a imprensa.
Um dia de verão na rue Champollion, cruzei com um homem numa bicicleta, seguido de uma moça também de bicicleta. Era Raí, o nosso apolo dos gramados, que morou em Paris, jogou no Paris Saint-Germain (PSG), e deve aparecer de vez em quando para matar as saudades. Surpresa, disse “Oi, Raí”. Ele olhou e sorriu.
Saindo do Grand Palais com minha filha Viviana, depois de ver a exposição “Picasso et les maîtres”, no ano passado, ela me chamou a atenção para um senhor que chegava acompanhado de um casal. Era o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tomei um alka-seltzer ao chegar em casa.

Millésime 2009 excepcional

Os vinicultores franceses lançam um apelo para alertar sobre os efeitos nocivos do aquecimento global sobre a produção de vinho. Os grandes vinhos correm grande risco. Segundo o Greenpeace, se nada for feito para limitar as emissões de CO2, a temperatura na França pode se elevar 6 graus até o fim do século. Isso vai modificar o solo e alterar a produção de vinhos mais nobres da região de Bordeaux, entre outras, pois os vinhedos se tornam vulneráveis com o aumento das temperaturas e as mais frequentes tempestades de granizo. Em dezembro, em Copenhague, Greenpeace quer alertar os chefes de Estado e de governo para os efeitos devastadores da mudança climática. Somente uma redução das emissões de CO2 pelos países industrializados de pelo menos 40% de hoje até 2020 e uma ajuda financeira e técnica aos países em desenvolvimento de 110 bilhões de euros poderão evitar mudanças climáticas irreversíveis e sem precedentes.
Mas antes que o pior aconteça, comemora-se um efeito benéfico do pequeno aumento da temperatura. Este ano , com os dias mais ensolarados, a colheita de uvas foi antecipada pois o mês de setembro foi o mais quente desde 1950. Para os vinhos, espera-se um millésime excepcional com uma qualidade comparável à de 2005 ou 2000.

Cuidado com os SMS

O SMS é o pior inimigo dos casais...
Uma decisão de junho deste ano da Justiça francesa incluiu o SMS como prova material para fins de divórcio. Um quarto dos franceses confessa espionar o telefone celular do cônjuge; 50% dos ingleses dizem olhar os SMS do cônjuge, um terço dos suecos e na Itália, nove entre dez relações extraconjugais são descobertas graças aos celulares.

Woman

Between my head and the sky. Este é o título do novo disco de Yoko Ono, apresentado ao vivo no telejornal das 13 horas. Ela deu uma entrevista de cinco minutos e depois cantou acompanhada ao piano por ... Sean Lennon. Um grande prazer neste começo de tarde. Há quem deteste Yoko. Acho que uma mulher que foi amada por John Lennon e que mereceu a letra que ele escreveu para a canção Woman só pode ser uma pessoa interessante.

2 comentários:

Heliete Vaitsman disse...

Querida Len, sempre ótimos teus comentários...lembrei que aqui quase não se encontram famosos a pé. E agora, com todas as esperanças colocadas nos Jogos, o que será de nós, uns poucos não patrioteiros (mas patrióticos, sim!), no dia-a-dia? O melhor comentário sobre o tema li hoje no ombudsman da Folha, indignado porque parece que quase todo mundo aderiu ao oba-oba!!! e cita Elias Canetti, no seu estudo sobre as massas.

Leneide Duarte-Plon disse...

Oi Heliete, somente agora estou lendo teu comentàrio. Como te disse, não costumo responder por absoluta falta de meios.
Beijo.
Leneide