sexta-feira, 27 de março de 2009

Boal na Unesco



“Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade : é aquele que a transforma”.
Com essa frase Augusto Boal, 78 anos, terminou sua mensagem lida em português, na Unesco, em Paris, dia 25, quarta-feira, diante de um auditório repleto. Aplaudido de pé depois da cerimônia em torno do teatro do oprimido, o brasileiro foi homenageado por representantes de vários continentes. Ao escolher Boal este ano como autor da mensagem do Dia Internacional do Teatro, o Instituto Internacional do Teatro – ITI, em inglês - da Unesco o colocou num seleto grupo que inclui Jean Cocteau, autor da primeira mensagem, Lawrence Olivier, Peter Brook, Luchino Visconti e, mais recentemente, o prêmio Nobel de Literatura Wole Soyinka.
“Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo”, dizia a mensagem exibida em cartazes em 45 línguas. O texto de Boal será lido em todos os teatros do mundo antes do espetáculo, na noite do dia 27, dia internacional do teatro. Indicado para o Nobel da paz de 2008, Boal é o homem de teatro brasileiro mais conhecido, premiado e estudado internacionalmente, graças à sua maior criação, o teatro do Oprimido, praticado em mais de 70 países.
Na cerimônia, o representante do ITI, Tobias Biancone, nomeou Augusto Boal Embaixador Mundial do Teatro, honraria que divide com mais seis embaixadores : Vaclav Havel, Wole Soyinka, Anatoli Vassiliev, Ellen Stewart, Arnold Wesker, Vigdis Finnbogadottir e Girish Karnad.
Boal pensa que todo teatro é uma forma de ação política, contra ou a favor do status quo. “No nosso caso, o teatro é uma ação política consciente. Sabemos que existem opressões, que queremos combater. É uma forma de fazer política, sem ser política partidária”. Ele lamenta que a universidade brasileira considere o teatro do oprimido como eminentemente político, enquanto nos EUA várias teses foram feitas em torno desta forma de fazer teatro.
Saudado pelos oradores da noite como autor de um teatro que revolucionou a arte teatral, ajudando a solucionar problemas sociais em todos os continentes representados na cerimônia, Boal foi apresentado como um artista que viveu o teatro como um vetor de transformação social, seja na Índia, no Brasil, no Sudão ou em Israel-Palestina, onde grupos do teatro do oprimido reúnem israelenses e palestinos.
Nesta sexta-feira, 27, no Théâtre de la Ville, em Paris, Boal lerá a sua mensagem no lançamento do livro de Odette Aslan “Paris, capitale mondiale du théâtre – le théâtre des Nations”.


Warhol no Grand Palais



Ele amava o luxo e o dinheiro. Mas Andy Warhol não foi apenas o dândi e mundano que frequentou o jet set internacional, autor da citadíssima frase: “No futuro todo mundo vai ser famoso por 15 minutos”.
Foi também um artista talentoso, o maior artista pop do século passado. Quem quiser comprovar tem até o dia 13 de julho para visitar a exposição “Le grand monde d’Andy Warhol”, no Grand Palais de Paris.
Warhol circulava no grand monde dos ricos e poderosos. E como os milionários são narcisistas cheios de dólares, ele os fazia pagar 25 mil dólares por um portrait. Na década de 60 e 70, essa soma representava uma fortuna. Depois de fazer fotos com uma Polaroid, Warhol trabalhava a imagem com uma técnica de serigrafia sobre tela e mostrava várias versões ao interessado. O primeiro retrato custava 25 mil dólares e os outros eram vendidos por uma pechincha: apenas 15 mil. Como as cores eram outras e o efeito era diferente, os retratados acabavam levando vários. Graças ao narcisismo dos ricos, Warhol ia alimentando sua conta bancária.
O estilo de Warhol é inconfundível e a lista dos rich and famous que ele retratou, infidável. Vai do Xá da Pérsia até Gianni Agnelli, passando por Mick Jagger, Madona, Brigitte Bardot e Sting. Na galeria de pequenas fotos de personagens conhecidos que posaram para a Polaroid do artista, uma certa baronesa de Waldner, a brasileira Sílvia Amélia, ex-Marcondes Ferraz, é a menos conhecida. Ao lado dessa foto, muitas outras, entre elas a da princesa Caroline de Mônaco, que deu origem a um quadro deslumbrante do artista, exposto com outros 143 retratos. A Mona Lisa, Marilyn Monroe, Mao Tsé Tung, Jackie Kennedy, Elisabeth Taylor e Lênin não posaram para sua câmera, claro. Esses ícones do século XX foram interpretados a partir de fotos de outros fotógrafos. Os quadros com os retratos de Jackie, Marilyn e Taylor se tornaram sinônimos do estilo Warhol e estão entre os mais conhecidos.
Tudo começou com o retrato de Marilyn Monroe, feito em 1962, logo após a morte da atriz. O marchand do artista, Leo Castelli, o vendeu por US$ 1.800 ao colecionador Leon Kraushar, que o guardou até sua morte, em 1967, quando foi comprado por um alemão por US$ 25 mil.
Em 1998, o retrato de Marilyn por Warhol foi revendido pela Sotheby's por US$ 17,3 milhões, um recorde na época para uma obra contemporânea. Mas o mercado de arte mudou e, atualmente, os preços dos retratos do artista começaram a cair, oscilando entre US$ 250 mil e US$ 800 mil.
A montagem da exposição foi perturbada pela polêmica entre o companheiro de Yves Saint Laurent (1936-2008), Pierre Bergé, e o curador Alain Cueff. Os quatro retratos de Yves Saint Laurent feitos por Warhol haviam sido emprestados por Bergé para a exposição.
Como foram colocados na sala Glamour, onde há retratos de outros estilistas como Giorgio Armani, Sonia Rykiel e Hélène Rochas, Bergé preferiu retirá-los por não concordar que Saint Laurent fosse visto como um simples "couturier" (costureiro), e não como um artista.
Ele queria ver Saint Laurent ao lado dos retratos de Man Ray, Roy Lichtenstein e David Hockney. O curador não conseguiu convencer Bergé a deixar o quadro onde fora colocado. Na véspera da inauguração, Bergé mandou retirar Saint Laurent do Grand Palais.
A exposição no Grand Palais talvez sirva para revalorizar a obra de Warhol, que trabalhava com imagens em série, como no quadro da última ceia, com 112 rostos de Cristo, feito um ano antes de sua morte, em 1987.
Mundano, dândi, fútl e mercantilista mas inegavelmente um grande artista.

Oscar Wilde em Saint-Germain-des-Prés

Uma dica aos brasileiros que não investiram na empresa do Madoff e estão cansados de se hospedar no Georges V ou no Plaza-Athénée quando vêm a Paris : um hotel charmoso na Rive Gauche, em Saint-Germain-des-Prés, cheio de histórias de hóspedes célebres. Chama-se apenas L’Hôtel. Tout court. Este hotel de nome insólito foi todo reformado e fica na Rue des Beaux-Arts. Entre os hóspedes célebres, Oscar Wilde e o casal franco-britânico Serge Gainsbourg e Jean Birkin, que viveram lá muitos meses. O quarto 16, que hospedou Wilde, foi redecorado por Jacques Garcia como na época do escritor. Cada quarto tem uma decoração que pode ser art déco ou outro estilo. Tudo arqui-chique. O restaurante do L’Hôtel, um charme para ir com alguém especial, é um dos mais charmosos e chiques de Saint-Germain, comandado pelo jovem chef Philippe Bélissent.

2 comentários:

eat-a-heaps disse...

great stuff!
please elt me know what you think of my artwork...
http://www.untumsmunudmum.blogspot.com

Carlos Eugênio disse...

Boal, seguindo as trilhas de quem revoluciona no Brasil é mais reconhecido fora do que aqui. Pena, pois tem um trabalho excelente e coerente.