A filósofa, especialista do século XVIII francês, já tinha provocado grande polêmica na década de 80 ao escrever um livro para defender a tese de que o “instinto materno não existe”. L’amour en plus: l’histoire de l’amour maternel (1980) é um marco no feminismo francês. Seu novo livro se insurge contra as pressões sobre as mulheres para terem filhos, serem “boas mães” e amamentarem o maior tempo possível.
Há, segundo ela, uma tendência na sociedade em considerar anormais as mulheres que não querem ter filhos. Ela denuncia, ainda, a ideologia naturalista que tenta impor o aleitamento materno como a única opção aceitável para uma “boa mãe”. Badinter mostra que de 1980 para cá aumentou muito o número de mulheres que amamentam na França, onde 70% das mulheres deixam a maternidade amamentando o bebê. Com o incentivo ao aleitamento materno vindo de todos os lados, as que preferem dar a mamadeira se sentem culpadas.
A vida profissional das mulheres é a primeira coisa a ser sacrificada em nome da nova forma de ser mãe, segundo Badinter, que dá exemplos recentes de políticas francesas que incentivam o aleitamento e até mesmo, em nome da ecologia, as fraldas não-descartáveis. Segundo ela, essa ideologia naturalista acrescenta uma nova tarefa ao cotidiano das mulheres pois ela não vê nenhum homem disposto a lavar fraldas de pano depois de chegar do trabalho. Detalhe : na França a classe média não tem empregada doméstica e muitas vezes nem mesmo uma faxineira semanal.
“O feminismo está dividido em dois desde os anos 80: há o feminismo naturalista, diferencialista, vitimizado, que se impôs na sociedade ocidental. O tema da independência econômica das mulheres não se impõe mais e o feminismo que defende a igualdade parece estar adormecido” constata Elisabeth Badinter em entrevista ao Le Monde.
Os principais jornais e revistas abriram suas páginas para entrevistas com Badinter e deram voz às feministas que dela discordam. E são muitas a discordar. Libération publicou um texto assinado por quatro mulheres (uma engenheira, uma jornalista, uma assistente de direção e uma editora) cujo título não podia ser mais claro : “O feminismo de Badinter não é o nosso”.
Quanto a Belinda Cannone, uma pensadora do feminismo, ela lançou um livro chamado La tentation de Pénélope no qual atesta essa valorização da maternidade, uma “velha armadilha” e diz que a atual geração de mulheres se vê tentada a desfazer o que a outra geração construiu com lutas e longos combates. La tentation de Pénélope defende o universalismo, “que suspende toda diferença entre os seres para fazer deles cidadãos e pessoas, livres e iguais em direito”. Para Belinda Cannone, se as mulheres têm um útero, elas têm antes de tudo um cérebro. Cannone argumenta que quando podem exercer o poder, as mulheres nem sempre o fazem diferentemente dos homens. “Quando as mulheres fazem parte do exército elas não manifestam necessariamente virtudes morais superiores”. Quem não lembra da foto da jovem soldada pisando em prisioneiros nus e amarrados como cachorros na prisão iraquiana de Abou Ghraib?
Atenção, moedas falsas
Quando o euro foi lançado, surgiram álbuns especiais para colecionadores. Ganhei um deles e comecei uma coleção que já tem quase todas as moedas de dois euros, um euro e as diversas de centavos organizadas por país. As mais difíceis de se encontrar em circulação são as de três países europeus insignificantes geograficamente mas que “fabricam” seus próprios euros: Vaticano, San Marino e Mônaco.
Outro dia, meu marido chegou com um euro totalmente novo para minha coleção. Ele o viu rapidamente e pensou que eu não tinha. Me pareceu tão estranho que olhei duas vezes para saber de que país ele vinha. E descobri: de Botsuana, país que ainda não entrou para a União Europeia por vários motivos. O primeiro deles é não estar na Europa.
A moeda tem um número 5 mas foi dada como sendo um euro, com a qual tem alguma semelhança. Conversando outro dia com a caixa de uma loja, ela me disse que existem várias moedas parecidas com o euro que são postas em circulação por espertos de diversas latitudes.
Como a moeda de Botsuana não deve valer grandes coisas, quem recebe uma no lugar do euro sai sempre perdendo. A não ser que seja colecionador de moedas exóticas...