quinta-feira, 4 de junho de 2009

Arte em Veneza


O bilionário francês François Pinault , proprietário, entre outras empresas, da Christie’s, uma das maiores casas de leilão do mundo, inaugura dia 6 de junho na Punta della Dogana, conjunto arquitetural do século XV, bem na entrada do Grande Canal, que os venezianos chamam de Canalazzo, mais um museu de arte contemporânea com obras de sua coleção particular.
Pinault, que já adquirira o Palazzo Grassi em Veneza, antiga propriedade da família Agnelli, possui agora os dois mais importantes espaços de arte contemporânea da cidade dos doges. Ambos já valeriam a visita até vazios. Com a coleção Pinault, o visitante tem um “tour d’horizon” da arte contemporânea do mundo inteiro.
Mais um bom pretexto para voltar a Veneza.
Na foto, o prédio do museu Punta della Dogana num dia de névoa do mês de abril deste ano, visto de um quarto do hotel Monaco et Grand Canal

Okinawa, um modelo de longevidade

O Japão, recordista mundial de longevidade, tem mais de 36 mil centenários. Hoje, há 1500 japoneses com mais de 105 anos e 33 com mais de 110. O número de pessoas com cem anos dobrou nos últimos 5 anos no país. Proporcionalmente à população, o arquipélago de Okinawa, que faz parte do Japão, tem duas vezes mais centenários que o resto do país. A França, o segundo colocado no mundo, tem "apenas" 20 mil centenários.
O professor Makoto Suzuki, fundador do Estudo dos centenários de Okinawa, veio a Paris falar de suas pesquisas sobre o envelhecimento da população desse arquipélago. Há 38 anos ele dirige o estudo que acompanhou 2073 casos de centenários. Hoje existem 900 centenários em Okinawa, dos quais apenas 15% são independentes.
O doutor Suzuki falou aos jornalistas acompanhado do epidemiologista Jean-Marie Robine, presidente do Comité Internacional Longévité et Santé e do médico nutriterapeuta Jean-Paul Curtay. Segundo o Dr. Suzuki, o Estudo dos Centenários de Okinawa revelou um modelo alimentar e um modo de vida que permitem a maior longevidade saudável do mundo. Okinawa é um arquipélado de 44 ilhas habitadas e tem um recorde mundial de longevidade com 87 anos em média para as mulheres e sete anos menos para os homens. Em Okinawa vivem 61 centenários para cada 100 mil habitantes, duas vezes mais que a média do Japão e três vezes mais que a França.
Para envelhecer com saúde o médico explicou que vários fatores precisam estar reunidos : a dieta, a manutenção de uma atividade física, uma vida sem excessos e a existência de um tecido social em torno da pessoa que envelhece. No caso dos alimentos, a maneira de prepará-los parece ser tão importante quanto o próprio alimento. Pelo que contam os médicos, os velhinhos de Okinawa comem coisas muito estranhas à nossa dieta para que o regime deles possa ser seguido à risca. Depois de ver os livros, spas e medicamentos que prometem combater o envelhecimento seguindo o modelo de Okinawa fiquei com a impressão que ele é, antes de mais nada, um bom filão mercadológico. O que não nega o fenômeno dos centenários da ilha mas garante uma fonte de renda a muitas indústrias que vivem do marketing em torno de Okinawa.
Mamãe, aqui não é a praia, né ?
Fazer cooper no Jardin du Luxembourg é um dos prazeres dessa primavera parisiense. Percorro a pé três vezes, num passo rápido, o perímetro do parque mas não tenho noção de quantos quilômetros tem a pista de corrida dos atletas. Ao fim da última volta, me sento numa das cadeiras verdes para pegar sol e ler por uma hora. São momentos de pura felicidade em que o corpo recebe uma boa dose de atenção.
Nesta segunda, um dia feriado, estava sentada no meu momento de leitura. Tirei a blusa, passei um creme e fiquei me bronzeando de maiô, calça comprida e tênis. Um menininho de uns três anos, de óculos escuros, como a maioria das crianças francesas em dias de sol, passou perto com o pai e a mãe. Ele repetiu duas vezes a pergunta sem que eu tenha ouvido a resposta: “Maman, ce n’est pas la plage, là?” Ele não via nem água nem areia mas via um maiô da cintura para cima, sentado numa espreguiçadeira do parque.
Formais (ou conformistas?) até a raiz dos cabelos, as francesas que fazem cooper no parque não costumam ter a idéia de pôr um maiô por baixo da blusa para, uma vez sentadas, retirá-la uns minutos ao se expor ao sol. Também nunca vi um homem sem camisa, bronzeando-se ao sol no parque. Cada momento, cada lugar tem seu código vestimentário. Roupa de praia não é roupa de parque.
Para exposição ao sol de biquíni ou sunga, o prefeito Bertrand Delanoë criou “Paris Plage”, que dura um mês e atrai os mais descontraídos que, de frente para o Sena, fingem que estão na Côte d’Azur. Lá é que é lugar de pegar sol de maiô. Em agosto, no auge do verão europeu, "Paris Plage" é uma mistura de parisienses desinibidos, suburbanos ociosos e turistas curiosos.



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