quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nefertiti de volta ao Egito?

Zahi Hawas, secretário-geral do Conselho das antiguidades egipcias, conseguiu uma vitória e tanto: a França vai devolver cinco fragmentos faraônicos conservados no Louvre e reclamados pelo Cairo. Essas pinturas murais foram compradas há poucos anos pelo museu francês em leilões parisienses mas foram comprovadamente roubadas há mais de 30 anos de um túmulo da 18a dinastia, em Luxor, no Egito. Os fragmentos conseguiram sair do país graças a documentos falsos.
Hawas, que faz parte da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo feita pelo Time Magazine, lançou uma campanha para levar de volta ao Egito todas as obras de peso atualmente em museus estrangeiros e saídas ilegalmente do país, como o busto de Nefertiti, exposta em Berlim como a peça mais importante do Neues Museum, que ganhou este mês uma nova sede, projeto do arquiteto britânico David Chipperfield.
Além de Nefertiti, o Cairo quer ver de volta a pedra de Roseta conservada no British Museum e outros tesouros guardados no Louvre.
Para conseguir o repatriamento das cinco peças do Louvre, Zahi Hawas ameaçou suspender as pesquisas arqueológicas em associação com o museu parisiense no sítio de Saqqara. Quanto a Nefertiti, os alemães alegam que sua cabeça saiu legalmente, no século XIX, fruto de um contrato assinado entre o alemão Henri James Simon com o Estado egípcio autorizando as escavações arqueológicas e o repatriamento dos objetos encontrados.
Affaire à suivre, como dizem os franceses.
Foto de Leneide Duarte-Plon

Guerrilha urbana

A violência no Rio continua fazendo estragos para o turismo.
As imagens que os jornais de televisão passam aqui na França é de uma cidade em guerra. Aliás era de guerra que falava o título da primeira página do Le Monde que circulou segunda (datado de terça, 20): “A Rio de Janeiro, scènes de guerre entre policiers et trafiquants”. Na página interna o título:“Cenas de guerrilha urbana nas favelas do Rio de Janeiro”. A matéria do correspondente do Le Monde, Jean-Pierre Langellier termina informando que o governador do Rio lançou uma ofensiva sem precedentes contra o crime organizado, em 2007, que resultou na inegável “pacificação” (as aspas são do jornal) de quatro favelas ocupadas permanentemente pela polícia. “Quatro favelas entre as 1020 da cidade”, conclui o jornalista fechando sua matéria.
Langellier não precisa acrescentar nenhum comentário.
A tarefa de “pacificação” é um trabalho de Hércules.

Direito à vida

Outra guerra , a de Gaza, marcou tragicamente a vida de Ezzedine Aboulaïch, o médico palestino diplomado de Harvard que trabalhava num hospital israelense de Tel Aviv e perdeu três filhas e uma sobrinha, todas adolescentes, durante os bombardeios israelenses. A explosão de dor do médico na TV israelense ao ter notícia da morte das filhas na tragédia de Gaza despertou muitas consciências em Israel.
Ezzedina Aboulaïch veio a Paris lançar sua Fundação para a educação das meninas e mulheres palestinas. Seu perfil na última página do Libération continha um alerta aos cidadãos de Israel: “Eles deveriam se perguntar por que os palestinos são hostis aos israelenses. Mas eles não querem ultrapassar o medo. Eu digo uma única coisa aos israelenses : vocês vivem num estado independente, têm uma vida livre e confortável. Os palestinos só querem poder ter o mesmo. Defender os direitos dos palestinos é defender o direito de vocês próprios à vida e à felicidade”.
Os judeus fanáticos que estão expulsando os moradores palestinos de Jerusalém-Leste e os colonos que constroem novas colônias na Cisjordânia sob proteção do governo israelense estão interessados no direito dos palestinos à vida e à felicidade?

Nobel da Paz

O prêmio Nobel da Paz atribuído a Barack Obama suscitou reações extremas. Os entusiasmados aplaudiram. Os críticos acharam prematuro premiar promessas e intenções. Os jornais listaram todos os americanos que já receberam o Nobel da paz, de 1906 até hoje.
Quando vejo que em outubro de 1973 o Nobel da Paz foi atribuído a Henry Kissinger, diplomata e secretário de Estado americano, tenho vontade de rir. Nobel da paz, o homem que manipulara habilmente, naquele mesmo ano, as peças do jogo político, juntamente com o presidente Nixon, para que Pinochet e seus asseclas destituíssem o presidente Allende com um banho de sangue no Chile, inaugurando a ditadura que todos conhecemos...
Obviamente, o Nobel da paz foi atribuído a Kissinger por outros motivos. Foram seus “esforços pela paz no Oriente Médio” que lhe valeram o prêmio. A paz no Oriente Médio entre palestinos e israelenses não chegou até hoje, mas isso é uma outra historia. A ironia é que o Nobel da paz de Kissinger veio penas um mês depois do golpe e da morte de Allende.
Mas, somente alguns anos depois, a participação da dupla Nixon-Kissinger no golpe chileno, através da CIA, foi revelada e provada.

Lady Di inspira livro de ex-presidente da França
colaboração para a Folha de S.Paulo, publicada em 3 de outubro de 2009
LENEIDE DUARTE-PLON
Ele descende da aristocracia, tem um castelo e foi presidente da República. Foi eleito para a Academia Francesa em 2003 e presidiu a comissão que elaborou o texto da Constituição Europeia. Esse pedigree deveria lhe bastar aos 83 anos. Mas não.
Valéry Giscard d'Estaing, um especialista da obra de Guy de Maupassant, quer se afirmar como romancista.
Ele lançou o romance "La Princesse et le Président" (a princesa e o presidente, pela editora XO-de Fallois), no qual uma princesa britânica, Patricia ou Lady Pat, se apaixona por um presidente francês, Jacques-Henri Lambertye, viúvo e pai de dois filhos.
A princesa e o presidente se conhecem no Palácio de Buckingham, no jantar de encerramento de uma cúpula do G-7. Os encontros furtivos se sucedem nos palácios da República francesa como Rambouillet e Soucy, que Giscard d'Estaing frequentou de 1974 a 1981 como presidente, ou no palácio de Kensington.
No livro, Lambertye (que rima com Valéry) é presidente no meio da década de 80, quando, na realidade, Mitterrand governou o país em dois mandatos (de 1981 a 1995).
No romance, Patricia, princesa de Cardiff, conta ao presidente Lambertye: "Dez dias antes do meu casamento, meu futuro marido veio me dizer que tinha uma amante de quem não tinha intenção de se separar depois de casado". A história do romance segue em detalhes a verdadeira história de Lady Di.
Quem revelou com exclusividade o conteúdo explosivo do livro foi o jornal "Le Figaro" de 21 de setembro, que publicou trechos da obra.
Jornalistas franceses e ingleses começaram a especular sobre o possível romance de Giscard e Lady Di. As fotos publicadas nos jornais e na capa de "Paris Match" desta semana são de 1994, numa festa de gala promovida por Anne-Aymone Giscard d'Estaing. Diana era uma jovem princesa infeliz de 33 anos; Giscard, um ex-presidente de 65 anos.
Giscard teria sido um dos inúmeros namorados da princesa Diana? O novo livro do presidente seria um "roman à clef" no qual a cronologia foi modificada para embaralhar as cartas e narrar uma história real? Pouco provável.
Assediado pela imprensa francesa, o autor garantiu que o livro é uma ficção, mas a princesa Patricia é um duplo de Diana, a quem teria feito a promessa de transformá-la em personagem de um romance. A epígrafe do livro é "Promessa cumprida".
A imprensa britânica reagiu no dia seguinte à publicação da matéria do "Figaro". Os ingleses ressaltaram que os presidentes franceses têm casos fora do casamento e que os franceses aceitam sem problemas essas aventuras amorosas.
"Um novo personagem junta-se ao elenco dos que garantem ter tido um papel na vida amorosa de Diana", escreveu o "Times". Para o jornal, Giscard quer mesmo é ofuscar o livro de memórias que Jacques Chirac, seu inimigo, lança neste ano.
Para o "Daily Mail", o romance do presidente não passa de "produto da imaginação de um francês". O "Guardian" se pergunta se o livro não é apenas resultado "da imaginação literária de um velho senhor". Nenhum jornal britânico encarou como real a história.
Uma coisa é certa, misturando cenários reais nos quais viveu por sete anos como presidente e construindo o personagem de uma princesa muito próxima de Diana, Giscard d'Estaing se vinga da realidade: o presidente Lambertye foi reeleito - ao contrário de D'Estaing, que perdeu em 1981 para Mitterrand.

terça-feira, 6 de outubro de 2009




Mão de um macaco afagada por mão humana : metáfora de um respeito ideal do homem (espécie predadora) pelas outras espécies. Cobaias de laboratório, atração de zoológico, caça como esporte, de quantos crimes os animais são vítimas?
Foto de Viviana Meireles









Rio-Paris, uma tragédia anunciada


Por que o voo Air France 447 caiu no Atlântico ?
No Journal du Dimanche deste fim de semana duas páginas, com chamada de capa, trataram de uma investigação independente, feita por dois pilotos experientes que dizem, em suma: “O acidente Rio-Paris podia ter sido evitado”.
Para a companhia e para o fabricante Airbus, a solução para o enigma seriam as caixas pretas. Para os dois pilotos, Gérard Arnoux e Henri Marnet-Cornus, que fizeram uma investigação paralela à oficial, não há dúvida que as responsáveis pelo acidente são as sondas Pitot. Mas transformando o acidente em erro humano, a Air France, a Airbus e os órgãos franceses responsáveis pela investigação encerram a ação penal. Segundo os pilotos, o Bureau d’enquêtes et d’analyses (BEA) minimiza o papel das sondas Pitot porque deveria tê-las mudado desde que o órgão similar alemão deu o sinal de alerta, em 1999. Além disso, eles julgam que a política de segurança da Air France não está à altura de sua posição de primeiro transportador aéreo do mundo.
Business, business, business...

Jospin de bicicleta, madame Chirac e seu cãozinho...

Ao cruzar o boulevard Raspail na direção da feira orgânica (marché bio) neste domingo, atravesso o sinal com meu marido e quando olho para a direita vejo um ciclista parado no sinal. Era Lionel Jospin. Reparo que ele tem a sua própria bicicleta e não usa o Vélib, as bicicletas de aluguel de Paris. Jospin desce o boulevard Raspail e nos ultrapassa. Eu já sabia que o ex-primeiro-ministro socialista mora por perto. Apesar de ter direito a guardas na porta do seu prédio, como todo ex-primeiro-ministro e ex-presidente, ele passeia por Paris de bicicleta, completamente desacompanhado.
Esse encontro inesperado numa manhã de outono me fez pensar em outros personagens famosos que cruzei em Paris ou em outras cidades recentemente. Há sempre uma sensação de surpresa ao depararmos com um rosto conhecido, como se tivesse saído das páginas de uma revista ou de um filme. Resolvi fazer um inventário: Emir Kusturica passou por mim perto do Hôtel de Ville, num táxi, com um dedo dentro do nariz. Ele estava em Paris para apresentar uma ópera que dirigia. Isabelle Adjani com um lindo chapéu vinha em minha direção, numa calçada do 8e arrondissement, em Paris, conversando com uma senhora idosa. Só a reconheci quando cruzei com seus olhas azuis. Jean-Luc Godard era um senhor meio careca que caminhava na calçada em frente ao Café aux Deux Magots, em Saint-Germain-des-Prés. Passei a meio metro dele e demorei a me dar conta que por mim passava o gênio da “nouvelle vague”.
Michel Platini almoçava numa mesa ao lado da nossa num restaurante de La Ciotat, cidade mediterrânea, onde os irmãos Lumière filmaram a chegada do trem na gare, inaugurando o cinema mundial. Magic Johnson foi perseguido por um fotógrafo que clicava sem parar em Portofino, um lugar que costuma ver desfilar a fina flor do jet set internacional. Catherine Deneuve ajeitava os cabelos de um adolescente perto da igreja Saint Sulpice, não longe de onde ela mora, soube depois. Madame Chirac, Bernadette para os íntimos, passeava seu cãozinho de estimação na Rue de Rennes, sozinha, às 10 horas da noite de um domingo. Seguindo pela Rue Bonaparte até o Sena ela chega em casa, um apartamento onde o ex-presidente se instalou depois de deixar o Palácio do Eliseu. O apartamento onde o casal mora em Paris pertence à família do ex-primeiro-ministro do Líbano, Rafic Hariri, assassinado em 2005, num atentado em Beirute. Chirac não tem casa em Paris, segundo a imprensa.
Um dia de verão na rue Champollion, cruzei com um homem numa bicicleta, seguido de uma moça também de bicicleta. Era Raí, o nosso apolo dos gramados, que morou em Paris, jogou no Paris Saint-Germain (PSG), e deve aparecer de vez em quando para matar as saudades. Surpresa, disse “Oi, Raí”. Ele olhou e sorriu.
Saindo do Grand Palais com minha filha Viviana, depois de ver a exposição “Picasso et les maîtres”, no ano passado, ela me chamou a atenção para um senhor que chegava acompanhado de um casal. Era o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tomei um alka-seltzer ao chegar em casa.

Millésime 2009 excepcional

Os vinicultores franceses lançam um apelo para alertar sobre os efeitos nocivos do aquecimento global sobre a produção de vinho. Os grandes vinhos correm grande risco. Segundo o Greenpeace, se nada for feito para limitar as emissões de CO2, a temperatura na França pode se elevar 6 graus até o fim do século. Isso vai modificar o solo e alterar a produção de vinhos mais nobres da região de Bordeaux, entre outras, pois os vinhedos se tornam vulneráveis com o aumento das temperaturas e as mais frequentes tempestades de granizo. Em dezembro, em Copenhague, Greenpeace quer alertar os chefes de Estado e de governo para os efeitos devastadores da mudança climática. Somente uma redução das emissões de CO2 pelos países industrializados de pelo menos 40% de hoje até 2020 e uma ajuda financeira e técnica aos países em desenvolvimento de 110 bilhões de euros poderão evitar mudanças climáticas irreversíveis e sem precedentes.
Mas antes que o pior aconteça, comemora-se um efeito benéfico do pequeno aumento da temperatura. Este ano , com os dias mais ensolarados, a colheita de uvas foi antecipada pois o mês de setembro foi o mais quente desde 1950. Para os vinhos, espera-se um millésime excepcional com uma qualidade comparável à de 2005 ou 2000.

Cuidado com os SMS

O SMS é o pior inimigo dos casais...
Uma decisão de junho deste ano da Justiça francesa incluiu o SMS como prova material para fins de divórcio. Um quarto dos franceses confessa espionar o telefone celular do cônjuge; 50% dos ingleses dizem olhar os SMS do cônjuge, um terço dos suecos e na Itália, nove entre dez relações extraconjugais são descobertas graças aos celulares.

Woman

Between my head and the sky. Este é o título do novo disco de Yoko Ono, apresentado ao vivo no telejornal das 13 horas. Ela deu uma entrevista de cinco minutos e depois cantou acompanhada ao piano por ... Sean Lennon. Um grande prazer neste começo de tarde. Há quem deteste Yoko. Acho que uma mulher que foi amada por John Lennon e que mereceu a letra que ele escreveu para a canção Woman só pode ser uma pessoa interessante.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fête de l’Huma







No fim de semana de 11 a 13 de setembro o jornal L’Humanité realizou mais uma tradicional e imperdível reunião da esquerda francesa, a Fête de L’Huma, que dura três dias. Organizada pelo jornal do Partido Comunista Francês (que já não tem mais a foice e o martelo nem é “órgão oficial do PCF”, como antes, mas continua sua luta pelos ideais comunistas), a festa é uma mistura de Feira da Providência com Bienal do Livro multiplicadas por dez.


A Fête de l'Huma é conhecida e frequentada por um número enorme de franceses. O espaço é um grande parque de La Courneuve, uma cidade dos arredores de Paris, e este ano mais de 600 mil pessoas, entre proletários e intelectuais que acreditam que um outro mundo é possível, foram ver o que a esquerda tem a propor para mudar o status quo. Mas quem vai à Fête de l’Huma não vai só tratar de política. Ponto de encontro da gauche francesa, muitos jovens vão também para comer, beber, se encontrar e ouvir música. Tudo com muitas faixas e cartazes engajados, claro. Mas o principal objetivo é angariar fundos para o jornal e reunir simpatizantes e militantes do PCF, além dos principais políticos de esquerda que vão defender a eterna união da esquerda, uma das metas mais difíceis da gauche do mundo inteiro.


Este ano houve, como de hábito, mega-shows de artistas como Manu Chao, que dispensa apresentação, e Julien Clerc, um compositor e cantor conhecidíssmo na França e que, entre outras qualidades, faz músicas para letras de Carla Bruni.
Fui no sábado e no domingo. No sábado pude ver quando o ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand, cercado por um enxame de cinegrafistas e jornalistas, entrava no Village du Livre. Os militantes mais exaltados gritavam: "Mitterrand dehors" (fora Mitterrand), "Mitterrand traître" (Mitterrand traidor) e outras “gentilezas”.
Quem convidou Mitterrand para a festa deve ter ficado sem saber o que fazer para conter os jovens que seguiam o grande grupo de jornalistas gritando o que pensam do fato de um sobrinho do ex-presidente socialista ter entrado para o governo Sarkozy.
*Fotos de Leneide Duarte-Plon

Niemeyer em Paris



Os franceses criaram há alguns anos dois dias chamados "Les journées du patrimoine". Nesse fim de semana de setembro, todos são convidados a visitar os prédios tombados, castelos ou símbolos do poder, normalmente fechados à visitação pública.
Aproveitei o domingo para levar minha filha para conhecer a sede do Partido Comunista Francês, na Place du Colonel Fabien, prédio tombado de Oscar Niemeyer. Fizemos a visita depois da palestra de Gérard Fournier, num dia de sol do verão que se despedia de Paris. Foi um prazer redobrado percorrer a obra de Niemeyer com todas as informações sobre as circunstâncias de sua concepção e construção.
A criação dos "dias do patrimônio" é polêmica. Valéry Giscard d'Estaing, que recebeu no fim de semana pessoalmente os interessados em visitar seu castelo d’Estaing, disse aos jornalistas que foi ele quem instituiu em 1980 a data. Já Sarkozy, ao receber a multidão que foi conhecer o Palácio do Eliseu disse achar ótima “a ideia de Jacques Lang de criar esses dias do patrimônio”.
O próprio ministério da Cultura comunicou oficialmente que essa era a 26 edição das jornadas do patrimônio, estabelecendo a criação em 1983, sob a presidência de Mitterrand.
Pobre Giscard. Até a direita atribui a Mitterrand uma ideia genial que ele diz ser sua.

Leite derramado


As fotos nos jornais são impressionantes. Mais impressionantes são as imagens nos telejornais. Os produtores de leite franceses, belgas e do Luxemburgo encheram dezenas de caminhões-cisternas em ações-relâmpago e despejaram nos campos em torno do Mont Saint-Michel o líquido branco produzido pelo trabalho de centenas de homens e mulheres. As vacas contribuíram com o principal, claro.
Na semana passada, o protesto em diversos locais diferentes serviu para chamar a atenção para as perdas que os produtores de leite sofrem com o fim da política europeia de cotas e com os preços irrisórios pagos pelos industriais.
Outros produtores menos radicais preferiram distribuir gratuitamente o leite nas fazendas a vendê-lo por um preço vil.
Segundo a FAO, organismo da ONU que cuida da agricultura no mundo, três quartos do bilhão de seres humanos subalimentados do planeta são agricultores.

France Telecom: 23 suicídios em 18 meses

Os franceses são os maiores consumidores de antidepressivos do mundo.
Agora, deram para se suicidar. Nos últimos 18 meses, 23 empregados da empresa France Telecom – que era estatal e foi privatizada parcialmente no governo Chirac - se suicidaram. A maioria no próprio local de trabalho. Saldo lamentável do capitalismo e das privatizações.
Alguns deixaram cartas alegando pressões insuportáveis, depois da privatização “à la française” (isto é, por etapas) dessa antiga companhia estatal. Há dois anos, houve outra onde de suicídios de empregados dos fabricantes de automóveis Renault e Peugeot.
Christophe Desjours, autor de Souffrance en France (A banalização da injustiça social – FGV) e Suicide et travail, que faire ? (PUF, 2009) explica que existe uma solidão e um sentimento de abandono por parte do trabalhador com os novos métodos de trabalho, configurando-se “um deserto no sentido arendtiano do termo : a solidão total”.
Segundo o psicanalista, os gestores que só olham o resultado em números não querem saber como eles são obtidos. Seria como se os assalariados estivessem loucos por não conseguirem atingir os objetivos. “Mas os objetivos que impõem são incompatíveis com o tempo de que o empregado dispõe”.
Christophe Dejours acrescenta: “As empresas constroem slogans para dar a impressão de que o que elas fazem é gerenciar recursos humanos mas na realidade trata-se de uma gestão “lenço de papel”: pegam as pessoas, espremem e as jogam fora. O ser humano no fundo é uma variável de reajuste, o que conta é o dinheiro, a gestão, os acionistas, o conselho de administração”.

sábado, 12 de setembro de 2009

A vingança de Gaia ou o fim da civilização

“Na Inglaterra ele é um dos darlings da mídia. Célebre na Alemanha, popular no Japão, traduzido na Espanha. A França seria estreita e cartesiana demais ou simplesmente provinciana?” Quem pergunta é um jornalista do Le Monde no perfil de James Lovelock, publicado no lançamento de seu livro The revenge of Gaia, em 2006. O provincianismo da França é uma alusão ao desconhecimento da obra de Lovelock no país.
Sir Lovelock, de 89 anos, construiu a hipótese científica que afirma que a Terra constitui um ser vivo que se autorregula. No início era apenas uma hipótese. Hoje, ela constitui uma teoria, aceita internacionalmente. Ele explica que “o sistema Terra se comporta como um sistema unitário autorregulado, formado por componentes físicos, químicos, biológicos e humanos”.
Quem se interessa por meio ambiente já ouviu falar dessa teoria na qual o meio ambiente e o ser humano são compreendidos como parte de um todo e o planeta como um ser em permanente busca do equilíbrio. Segundo Lovelock, a Terra é uma interação entre o vivo e o não-vivo.
O aquecimento global, consequência da ação humana, segundo o cientista, vai ser responsável por uma catástrofe, pois o processo irreversível já começou. Quando a temperatura na Terra aumentar 8° centígrados (lá pelo ano 2050) a maior parte da superfície do planeta terá se transformado em deserto e os sobreviventes irão viver em torno do polo Ártico.
“Mas não haverá lugar para todos, haverá guerras e populações desesperadas disputando espaço vital. Não é a Terra que está ameaçada mas a civilização”, diz o cientista, membro da Royal Society e cujos títulos incluem o de doutor em química e cientista da Nasa, onde trabalhou para pesquisas em Marte.
Ele não crê no desenvolvimento sustentável como solução para as ameaças que pesam sobre o planeta e prega a diminuição drástica do consumo de bens materiais. Mas para isso, será preciso, segundo Lovelock, que as sociedades industriais saiam da inércia atual.



Prisão com dignidade

A Justiça do país dos direitos humanos reconhece as deficiências do seu sistema penitenciário.
Este ano, o Estado foi condenado a pagar a três ex-detentos da prisão de Nantes por “condições de detenção que não respeitam a dignidade da pessoa humana”. Isso foi em julho e a République vai pagar 6 mil euros a um dos três ex-detentos e 5 mil aos dois outros. Já tinha havido um julgamento similar no ano passado, em Rouen.
Periodicamente lemos nos jornais denúncias de condições degradantes de algumas prisões francesas. A de Nantes, por exemplo, tem 419 presos para uma capacidade de 291 lugares. Suicídios de presos são também frequentes nas prisões do país de Voltaire.
Se a justiça brasileira obrigasse a União ou os Estados a pagarem por “condições de detenção que não respeitam a dignidade da pessoa humana”, imagino que iriam à falência.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Férias I


















Todos os anos, os franceses são convidados a pensar nos seus animais domésticos antes de sair de férias. Com a chegada do verão as sociedades protetoras de animais multiplicam os apelos aos donos de cães e gatos para que não os abandonem antes de partir para as sagradas férias de verão*.

Quem não consegue um esquema de vizinho, amigo ou local profissional para deixar o animal não pensa duas vezes: joga o fiel companheiro na rua e pega o caminho das férias.
Brigitte Bardot e outros defensores dos animais ficam furiosos com os desalmados que abandonam seus bichinhos. Tudo por causa de alguns dias de férias.
Tenho duas amigas que vieram para a Europa na década de 70 e, entre outras atividades de verão, viveram algum tempo cuidando de gatos e plantas de pessoas que viajavam de férias.

*As fotos são na Gare de Lyon, em junho.

Férias II

O açougueiro da Rue Bréa já fechou as portas por um mês. O sapateiro, idem. A nossa tinturaria do Boulevard Raspail fechou neste sábado. As padarias mais próximas estão fechadas por um mês. O chocolatier Jean-Paul Hévin (um dos melhores de Paris) aproveita o mês de agosto para fazer obras e renovar a bela loja da Rue Vavin. Assim como a padaria que fica do mesmo lado.
Paris está vazia. Os parisienses que já saíram de férias no mês de julho vivem numa cidade sem carros, sem barulho e quase sem parisienses, já que a maioria parte em agosto. Há quem curta essa Paris com um quê de cidade do interior. Eu prefiro a cidade viva, com os parisienses andando sempre com um passo apressado ou sentados nas varandas dos cafés.
Outro dia recebi uma sobrinha que vinha a Paris pela primeira vez e lhe contei como funciona a cidade em julho-agosto. Mostrei as lojas fechadas com um cartaz que anuncia o dia da reabertura. Ela, que mora em Brasília, custou a crer que esse fenômeno se repete todo ano.
Quem não conhece Paris num mês de agosto não pode imaginar boutiques e lojas fechadas para férias coletivas. As férias de verão são tão importantes que a própria língua tem duas palavras para designar quem sai de férias em julho e em agosto: “juilletistes e aoûtiens”.
Eu, uma aoûtienne convicta, interrompo o blog por um mês. Em setembro, ele reabre.

Cálice

A igreja anglicana suspendeu por um tempo a distribuição de vinho da Santa Ceia aos fiéis. Gripe A oblige. O cálice que passa de um fiel ao outro não vai mais ser usado pelos anglicanos da Inglaterra. Há algumas semanas, os fiéis participam do sacramento comendo apenas o pedaço de pão. Pela primeira vez na história da Igreja Anglicana, a igreja da Inglaterra modificou o sacramento da comunhão. Na igreja parisiense (protestante) que frequento, o cálice de metal (prata ou estanho?) ainda circulou nesse domingo e todos beberam um gole do vinho, depois de comerem o pedaço de pão. Inclusive eu. Me pergunto se os pastores franceses também vão se render ao princípio de realidade e, como os pragmáticos britânicos, suspender o vinho bebido na taça que circula entre os fiéis.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

As férias do “capitão coragem”

Fazendo cooper, o presidente Sarkozy teve um mal-estar no domingo, 26 de julho. Nesta quinta, 30 de julho, o presidente, como os ministros, troca Paris pelas anuais férias de verão. O presidente vai passar três semanas na Côte d’Azur, na propriedade da família de Carla Bruni. Os ministros, que, como a maioria dos parisienses, vão deixar a cidade deserta, têm uma única obrigação: não estar a mais de duas horas de avião de Paris. Por isso, o primeiro-ministro François Fillon passará suas férias na Toscana. Para mim, a Toscana é um dos lugares mais bonitos da Itália, da Europa e do mundo. Um paraíso onde milionários do mundo inteiro têm casa de campo. E onde eu comprarei uma casa, quando ganhar na euromilhões, a loteria que funciona em vários países europeus.
Christian Salmon, pesquisador do Centro de pesquisas sobre as artes e a linguagem e autor do excelente livro Storytelling – La machine à fabriquer des histoires et à formater les esprits (La Découverte, 2008), analisou no Le Monde o excesso de cobertura do mal-estar do presidente pela imprensa francesa:
"O mal-estar teria passado despercebido em outros tempos. Mas a superexposição de Nicolas Sarkozy, a hipercentralização do poder e sua hiperatividade em termos de agenda midiática mergulham a sociedade francesa num estado de alerta permanente. Existe uma dramatização um tanto doentia, ligada à personalização das instituições políticas e à `novelização´ da vida política. Não se trata mais somente de contar histórias (storytelling), mas de manter a opinião pública em estado de permanente mobilização. Tudo isso faz parte do sintoma de `superexcitação, hiperatividade, superexposição´. O Palácio do Eliseu fez tanto marketing do `capitão coragem´ diante da crise que um simples mal-estar toma proporções quase de um naufrágio".
Leia também
A política como ficção – Leneide Duarte-Plon entrevista Christian Salmon (17/11/2008).


Novo debate sobre o véu islâmico

Os países europeus se veem às voltas com mulheres muçulmanas que cobrem a cabeça com um véu, o hidjab. Alguns, como a França, o proíbem em repartições e escolas. Outros premitem o uso em todos os ambientes. Mas além do discreto hidjab, algumas muçulmanas usam o niqab, que cobre o corpo todo mas deixa os olhos à vista. Outras usam a forma mais radical de ocultação do corpo feminino, a burca, que cobre corpo e rosto e tem apenas uma tela no lugar dos olhos. Na França, são 367 mulheres que usam a burca, segundo o Le Monde de 30 de julho. Convenhamos, não é muito num país de 60 milhões de habitantes.
Acontece que o presidente Sarkozy, em seu discurso diante do Parlamento reunido em Versalhes em junho, inaugurando novo protocolo que permite que o presidente francês se dirija pessoalmente aos parlamentares (antes ele enviava mensagem lida e não podia falar no Parlamento), deixou claro seu ponto de vista sobre o assunto : “O problema da burca não é apenas religioso. É um problema de liberdade e dignidade da mulher. Ela é um sinal de dominação sobre a mulher. Digo solenemente: a burca não é bem-vinda no território da República francesa”.
Segundo ele, a França não pode aceitar mulheres prisioneiras sob uma grade de pano, totalmente isoladas da vida social e de qualquer identidade. “Não é essa a idéia que fazemos da dignidade da mulher”, terminou Sarkozy.
Uma missão de informação parlamentar sobre o uso desse véu integral foi nomeada pelo governo para discutir o caminho a seguir. Pode vir a proibir o uso no espaço público “em nome da laicidade, da dignidade da mulher e da segurança e da ordem pública”. Como a burca permite a alguém (mulher ou homem) se esconder totalmente por trás da roupa, é possível que uma lei seja proposta em fins de janeiro, quando a missão parlamentar concluir suas consultas a sociólogos da religião, filósofos e feministas. “Se uma muçulmana decide usar o hijab ou uma judia usar uma peruca, isso não me incomoda. Por outro lado, o véu integral aniquila a mulher”, diz Olivia Cattan, da Association Paroles de femmes, no jornal Libération e uma das dezenas de pessoas que vão ser ouvidas pela missão parlamentar.
No meu livro "Por que elas são (in)fiéis", Ediouro, 2006, escrevi na página 29:
“Nas sociedades islâmicas, o uso do véu é uma forma de manter controle sobre o corpo da mulher, visto como permanente fonte de tentação. Em nome do livro sagrado do profeta Maomé, tiranos fanáticos escondem suas mulheres sob os mantos para se convencerem de que elas não existem como seres desejantes, como iguais.
No livro "Psychanalyse à l’épreuve de l’Islam", o psicanalista Fethi Benslama diz que “o véu islâmico é uma coisa (em iltálico no texto) pela qual o corpo feminino é ocultado em parte ou totalmente porque este corpo tem um poder de encanto e fascinação. Em outras palavras, o que é ostentatório para a religião é o corpo da mulher, ao passo que o véu seria um filtro que resguarda e protege de seus efeitos perturbadores”.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Apagaram o cigarro de Alain Delon


Na França, a Lei Evin proíbe toda publicidade de fumo, em qualquer mídia.
Por isso, uma foto de Alain Delon de 1966 em que o ator tinha um cigarro na mão direita foi retocada agora para “apagar” o cigarro, na nova publicidade do perfume Christian Dior, Eau Sauvage. Não é de admirar que a Dior vá buscar uma foto dele no auge da beleza para a nova campanha do perfume. O ator é considerado por muitos o francês mais bonito de todos os tempos (quem não lembra da câmera de Visconti lambendo o rosto de Delon em Rocco e seus irmãos, literalmente subjugada pela beleza do ator?).
Delon não é o primeiro a ter uma foto adaptada pelo politicamente correto. Este ano, a cinemateca francesa organizou a retrospectiva e exposição da obra de Jacques Tati. Os cartazes que foram espalhados pela cidade e dentro das estações de metrô mostravam Tati numa bicicleta sem seu cachimbo, devidamente apagado pelos publicitários zelosos. Esse excesso de zelo foi criticado pelo próprio autor da lei, o ex-ministro Claude Evin, e também pela atual ministra da Saúde, Roselyne Bachelot. Ambos acharam ridículo apagar o cachimbo de Tati, uma de suas marcas mais fortes. Agora apagaram o cigarro de Delon, depois de terem tirado o cigarro dos dedos de Sartre para uma exposição sobre o filósofo da Biblioteca Nacional da França, há poucos anos.

120 velinhas

A velha dama de ferro comemorou 120 anos comme il faut.
Não, não estou falando de Margaret Thatcher, tão idosa que vai ficando esquecida por conta da idade, mas ainda longe dos 120. Em vez de pedir que esquecessem o que fez (ou escreveu) ela tratou de começar por si mesma. Esqueceu quase tudo por conta daquele médico alemão, Dr. Alzheimer.
Estou falando da Torre Eiffel. Para seus 120 verões ela teve direito, dia 14 de julho, aos fogos de artifício mais espetaculares de sua história. Comemorou-se a festa nacional e o aniversário de uma das mais visitadas atrações da capital, com o Louvre e a Notre Dame. Antes dos fogos, os franceses e turistas (700 mil pessoas) puderam assistir ao show do velho roqueiro francês Johnny Hallyday, de 66 anos, que se despede dos palcos em uma turnê por várias cidades. A escolha do cantor foi feita por Sarkozy, um fã incondicional. Gosto não se discute.
Por falar na Torre, no Libération podemos ler pérolas de cultura inútil por conta das matérias especiais de verão, quando a política francesa funciona no piloto automático e pouca coisa acontece. Todo mundo sai de férias, inclusive o presidente e os ministros (alternadamente, claro). Leio matéria sobre “o salto do século” feito por François Reichelt, um francês que pensava ter inventado o paraquedas. Ele morreu em fevereiro de 1912, saltando do primeiro andar da Torre Eiffel, diante de poucos curiosos e alguns jornalistas, vestido de uma espécie de macacão-capa, supostamente apto a amortecer sua queda. Não funcionou e o infeliz inventor morreu estatelado aos pés da torre.
Mais um pouco de cultura inútil: a invenção patenteada de um paraquedas foi feita pelo francês Jacques Garnerin em outubro de 1802. Ele tinha saltado pela primeira vez em 1797 no parque Monceau em Paris. Mas o nome parachute (paraquedas) foi criado pelo físico francês Sébastien Lenormand, o primeiro a saltar do primeiro andar de uma casa com um guarda-sol em cada mão!

Delito de solidariedade = estrangeiros fora!

Liberté, égalité e fraternité são palavras edificantes. Mas nem sempre fáceis de aplicar. Na defesa da lei que ficou conhecida por instaurar o “delito de solidariedade”, o governo francês está às voltas com as associações de ajuda aos imigrantes. Uma queda de braços que foi magnificamente ilustrada no filme francês Welcome, que passa no Brasil com o nome de Bem-vindo, pelo que li nos jornais. O ministro da imigração Eric Besson, ex-socialista cooptado por Sarkozy (como o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner) não gosta que chamem o artigo L 622-1 – o código de entrada de estrangeiros – de delito de humanidade, delito de generosidade ou delito de solidariedade. O artigo citado diz que “toda pessoa tendo, por ajuda direta ou indireta, facilitado ou tentado facilitar a entrada, a circulação ou a permanência irregular de um estrangeiro na França é passível de pena de cinco anos de prisão e 30 mil euros de multa”.
Associações como o Secours Catholique, Emmaüs e a Cimade querem acabar com as penas para o que chamam de “delito de solidariedade” e defendem a modificação da lei.
Na Itália berlusconiana, a direita pede a médicos e enfermeiros que atendem pessoas ilegais que os denunciem! A direita européia adota cada vez mais um discurso neofascista e o parlamento europeu deu uma guinada à direita depois das eleições européias de junho. Triste Europa!

A evitar ?

Pouco tempo antes de ter de pegar o avião para ir ao Brasil, caíram três aviões, dois no mar e um tupolev iraniano sobre o continente, abrindo uma enorme cratera. De todas as catástrofes, apenas uma sobrevivente, a jovem Bahia, de 14 anos, moradora da região parisiense.
Para meu desespero, a companhia em que vou voar, TAM, está no grupo D (a evitar) de uma classificação de 57 companhias aéreas. Desespero : o que fazer? Jogar fora a passagem já comprada? Comprar uma passagem de uma companhia do grupo A?
A lista de classificação das companhias aéreas pelo grau de fiabilidade foi publicada por um jornal francês depois do acidente da Air France na rota Rio-Paris. Os critérios da classificação foram, entre outros, a idade dos aviões, a manutenção, os incidentes e acidentes ocorridos. Esse estudo foi baseado em dados técnicos fornecidos pelo Observatório da Segurança aérea e do turismo de Genebra (Obssat, em francês). Quem fez o estudo foi François Nénin, jornalista especializado em segurança aérea.
O grupo A (bom nível) tem as companhias mais seguras, na ordem publicada: Singapore Airlines, Qatar Airways, Cathay Pacific, Emirates, Easyjet, Air Canada, Lufthansa, British Airways, Tunisair, United Airlines. No grupo B (nível correto) estão várias outras, começando pela Air France. No grupo C (sob reserva) mais uma dezena, entre elas American Airlines e Continental Airlines. A brasileira TAM abre o grupo D (a evitar) e o grupo E contém as da lista negra, proibidas na Europa ou na lista de espera da proibição.